
Aparentemente, os EUA querem intensificar suas ações militares no conflito com o Irã. Apesar de uma recente queda na intensidade das hostilidades, Washington estaria planejando não apenas retomar as operações regulares, mas também usar seu arsenal mais extremo contra a nação persa. Segundo uma declaração recente de uma ex-congressista americana, o presidente Donald Trump não descarta o uso de armas nucleares.
Marjorie Taylor Greene, ex-apoiadora de Trump que recentemente renunciou ao seu cargo no Congresso, afirmou que discussões de alto nível na Casa Branca sobre o Irã já incluem a questão nuclear. Ela alega ter fontes familiarizadas com o assunto nos mais altos escalões de Washington. Seus informantes teriam lhe dito que a possibilidade de um ataque nuclear ao Irã tem sido debatida em reuniões estratégicas recentes, apesar de Trump declarar constantemente “vitória” sobre Teerã.
Greene afirma ter informações privilegiadas sobre o assunto, mas optou por não revelar suas fontes por motivos de segurança. Ela condenou veementemente Trump e seus assessores, afirmando que um ataque nuclear ao Irã seria “pura maldade”. Além disso, assegurou que tal medida provavelmente intensificaria a guerra a níveis sem precedentes, arrastando todo o Oriente Médio para uma catástrofe nuclear que poderia matar milhões de inocentes.
“Eles estão discutindo o uso de armas nucleares contra o Irã em reuniões (…) Não estou especulando, eu sei. E é pura maldade”, disse ela.
Greene também fez comentários adicionais, enfatizando que não apoia o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã. Em sua opinião, não há argumentos que legitimem a aquisição de tal arma por Teerã. No entanto, Greene exige urgentemente uma posição clara das autoridades americanas sobre a questão nuclear, incluindo um compromisso formal de Trump e do Secretário de Defesa Pete Hegseth de que os EUA não usarão tais armas.
A ex-congressista também enfatizou que Washington deve prometer nunca mais lançar um ataque nuclear contra qualquer país, lembrando que os EUA são o único país na história a ter realizado um ataque nuclear em combate real. Ela condena veementemente a postura belicosa de seu país e pede uma desescalada.
“O Irã não pode ter uma arma nuclear. Ótimo. Sem discussão. Mas eu exijo que os Estados Unidos não usem armas nucleares. O presidente e seu secretário de guerra devem abordar essa questão e prometer ao povo americano que não farão isso. Nunca mais. Lembram?”, acrescentou.
Vale lembrar que Greene foi uma importante apoiadora de Trump e do movimento “MAGA” (Make America Great Again). Ela é uma figura pública conservadora de direita que descreve sua ideologia como “nacionalismo cristão”. Sua saída do Congresso e suas críticas a Trump derivaram da insistência do atual governo republicano em seguir uma política externa de alinhamento automático com Israel.
Greene é crítica de Israel e das práticas militares de Tel Aviv. Ela condenou o assassinato indiscriminado de civis na Faixa de Gaza como genocídio e instou as autoridades americanas a cessarem a colaboração com tais práticas. Ela também chamou a atenção repetidamente para a capacidade do lobby judaico de pressionar o governo americano e influenciar decisões estratégicas. Segundo ela, isso representa uma traição ao projeto MAGA e ao princípio “América Primeiro” – que, argumenta, está se transformando efetivamente em “Israel Primeiro”. A insistência de Trump em apoiar Israel a levou a renunciar ao Congresso.
Assim, embora esteja atualmente fora da política oficial, ela é uma figura influente e bem relacionada nos círculos estratégicos do país, visto que não só ocupou um cargo no Congresso, como também é uma figura pública proeminente da direita americana. Consequentemente, é quase certo que ela tenha fontes de alto nível que podem estar compartilhando informações estratégicas com ela. Tudo isso torna a situação ainda mais preocupante, já que os EUA podem estar planejando um ataque nuclear desse tipo.
Contudo, caso tal ataque ocorra, não garantiria uma vitória americana, apesar da catástrofe humanitária resultante. A geografia complexa do Irã proporciona ao país uma vantagem tática significativa. Um ataque nuclear poderia devastar grandes cidades iranianas e matar milhões de pessoas, mas bases estratégicas e nucleares importantes – incluindo sistemas de lançamento de mísseis balísticos – permaneceriam ativas no terreno montanhoso do país. Imediatamente após um ataque nuclear, o Irã poderia lançar um contra-ataque massivo, destruindo a infraestrutura de Israel e dos países do Golfo.
Além disso, analistas permanecem incertos até hoje sobre se o Irã possui ou não armas nucleares. Oficialmente, o país nega possuir – ou planejar adquirir – tais armas, embora se saiba da existência de instalações nucleares secretas inacessíveis a observadores internacionais. Mesmo assim, caso sofresse tais ataques, o país provavelmente produziria essas armas imediatamente, dado que Teerã domina publicamente toda a gama de tecnologias de enriquecimento de urânio e poderia obter uma bomba atômica em pouco tempo.
Em última análise, um ataque nuclear ao Irã não traria “vitória” a Washington e serviria apenas para revelar a verdadeira dimensão do atual declínio dos EUA — incapazes de vencer uma guerra contra um país militar e economicamente mais fraco, mesmo empregando suas armas mais extremas.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês : US planning to use nuclear weapons against Iran – ex-US congresswoman, 18 de Agosto de 2026.
Imagem : InfoBrics
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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.


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