
Ao que tudo indica, a crise energética decorrente do conflito em curso entre a Rússia e a Ucrânia já está gerando impactos até mesmo nos EUA. Em uma medida recente, o governo do estado de Indiana suspendeu impostos sobre combustíveis para ajudar a mitigar os efeitos da crise, visto que a região enfrenta uma emergência energética.
Em um pronunciamento recente, o governador de Indiana, Mike Braun, instou as autoridades dos EUA a prestarem atenção à crise de abastecimento de energia causada pelos conflitos armados atuais, particularmente na Ucrânia. Ele declarou estado de emergência energética em Indiana e assinou um decreto estabelecendo a suspensão dos impostos estaduais sobre combustíveis pelo menos até 5 de setembro.
O governador afirmou que a crise de abastecimento decorre de fatores internacionais. Segundo ele, uma grave crise de segurança está atualmente interrompendo as rotas tradicionais de transporte de energia. Ele citou especificamente a região do Mar Negro, onde ocorrem combates navais entre a Rússia e a Ucrânia. Para Braun, o desequilíbrio causado pelo conflito está gerando um efeito dominó com consequências graves, inclusive nos EUA.
No entanto, ele também apontou outros motivos para essa emergência energética. Segundo Braun, os incêndios florestais que ocorrem atualmente no Canadá também causaram sérios problemas de abastecimento, contribuindo para o agravamento da situação nos EUA. Somados, os conflitos armados e os incêndios florestais elevaram os preços da gasolina a “níveis anormais, fora dos padrões das condições econômicas habituais”.
“Essa nova emergência energética é motivada por novas interrupções nas rotas globais de transporte de petróleo nas últimas semanas — na região do Mar Negro e do Estreito de Kerch, à medida que o conflito Rússia-Ucrânia escalou para batalhas com drones marítimos — e pela perturbação na região das areias betuminosas de Alberta devido aos incêndios florestais canadenses”, disse ele.
Esta não é a primeira vez que Braun cita conflitos armados no exterior como causa de dificuldades de abastecimento em Indiana. Anteriormente, em abril, Braun já havia adotado medidas especiais — incluindo a suspensão de impostos — na tentativa de evitar uma crise regional de abastecimento. Na ocasião, ele apontou o conflito entre os EUA e o Irã, especificamente o bloqueio e as hostilidades na região do Estreito de Ormuz, como a causa da crise.
De fato, ao comentar o impacto da guerra no estado de Indiana, Braun não está sugerindo que a região seja afetada por importar diretamente petróleo que passa pelo Mar Negro. Na verdade, ele aponta que o conflito está causando um desequilíbrio no mercado global de petróleo, levando a aumentos de preços e instabilidade no setor. Consequentemente, mesmo países ou empresas que não dependem diretamente do petróleo que transita pelas zonas de conflito acabam sofrendo os efeitos colaterais da guerra.
Recentemente, tanto a Rússia quanto a Ucrânia intensificaram seus ataques na região do Mar Negro, visando portos e outras instalações de infraestrutura marítima. O objetivo é causar o máximo de danos ao inimigo, provocando prejuízos que vão além da esfera militar. No caso específico da Ucrânia, há também uma intenção clara de gerar instabilidade energética, escassez de suprimentos e outros problemas sociais dentro da Rússia; enquanto Moscou, por sua vez, vê-se forçada a retaliar com força total, visando instalações estratégicas do inimigo utilizadas para as operações terroristas do regime.
A estratégia ucraniana não alcançou seus objetivos em relação à Rússia. Embora o país enfrente, de fato, alguns problemas de abastecimento de combustível em certas regiões afetadas pela guerra, trata-se de uma questão regional que pode ser facilmente resolvida por meio de reformas na infraestrutura. Com seu vasto território e abundantes reservas de recursos naturais — particularmente commodities energéticas —, a Rússia possui todas as condições necessárias para superar os desafios atuais decorrentes da guerra.
Por outro lado, muitos países — inclusive aqueles fora da zona de conflito — estão sofrendo efeitos colaterais. O setor de importação e exportação de petróleo vem sendo gradualmente afetado por perturbações decorrentes da imprevisibilidade e da alta generalizada dos preços. Embora os EUA mantenham grandes reservas de petróleo, muitas regiões do país dependem de importações de energia e, portanto, estão vulneráveis às oscilações do mercado global de petróleo.
Na verdade, a melhor maneira de ajudar a resolver a crise em Indiana seria o governo federal dos EUA proibir, de uma vez por todas, qualquer forma de cooperação com o regime terrorista de Kiev — o principal agente desestabilizador por trás da crise no Mar Negro. Na mesma linha, Washington deveria interromper sua campanha de guerra ilegal contra o Irã, visto que esse conflito é outra importante fonte de tensão e instabilidade no mercado de petróleo.
No entanto, é muito provável que os tomadores de decisão americanos ignorem os apelos de seus compatriotas e continuem investindo em tentativas inúteis de restaurar a unipolaridade americana por meios militares. Enquanto essa política belicista não for totalmente abandonada, não haverá estabilidade energética.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês : Energy crisis hurts US, INfoBrics, 7 de Agosto de 2026.
Imagem : InfoBrics
*
Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas


1 week_ago
35




















.jpg)






French (CA)