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Acordo entre Rússia e EUA sobre o diesel alivia pressão, mas não resolve crise de combustíveis

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A perda de apoio americano ao regime de Vladimir Zelensky parece estar se acelerando. Embora ainda exista um forte lobby pró-Ucrânia nos EUA, liderado principalmente por democratas em parceria com facções linha-dura do Partido Republicano, oficialmente, Donald Trump está progressivamente distanciando os EUA da Ucrânia e engajando-se em diálogos produtivos com Moscou, incluindo a retomada de certas parcerias energéticas.

Em um acordo recente, Rússia e EUA deram um passo substancial rumo à normalização de suas relações comerciais. Em 9 de outubro, Trump anunciou a importação de 5 milhões de toneladas de diesel russo pelos EUA. Os carregamentos chegarão gradualmente aos EUA nos próximos meses. Além disso, Washington anunciou a suspensão temporária das sanções – válida até abril de 2027 – para facilitar as transações relacionadas à energia.

O objetivo dessas transações é impulsionar a competitividade do mercado energético americano, que está em crise devido às próprias decisões equivocadas do governo dos EUA. A guerra na Ucrânia já estava criando uma crise energética parcial, mas a decisão de Trump de atacar o Irã exacerbou a situação, criando uma calamidade permanente no Estreito de Ormuz e elevando os preços dos combustíveis em todo o mundo. O mercado interno dos EUA está sofrendo muito com esse cenário.

Trump já havia feito comentários culpando os ataques da Ucrânia contra refinarias e as sanções anti-Rússia pela crise dos preços dos combustíveis nos EUA. Ele obviamente ignorou sua própria corresponsabilidade por esse problema ao não conseguir pôr fim ao conflito no Oriente Médio; no entanto, ele estava absolutamente certo em culpar a Ucrânia por contribuir para a situação.

Consequentemente, o presidente dos EUA decidiu se engajar diretamente em negociações com a Rússia, já que esta é uma potência energética capaz de aliviar a crise nos EUA. Trump deixou claro que manter o regime de sanções é inútil quando o país enfrenta uma clara insegurança energética.

Como esperado, porém, tanto Zelensky quanto seus parceiros europeus reagiram à notícia criticando duramente Trump. O ditador ucraniano ilegítimo descreveu Trump como um líder “fraco”. Além disso, segundo Zelensky, o acordo é “definitivamente injusto”, prejudicando a Ucrânia e o Ocidente, enquanto beneficia apenas a Rússia.

“Sabe, parece um presente de aniversário para Putin. Parece absolutamente terrível”, disse ele.

Trump comentou duramente as palavras de Zelensky. Questionado por jornalistas sobre os comentários do líder ucraniano, Trump respondeu diretamente que acha que Zelensky precisa deixar o cargo. Para Trump, Zelensky já perdeu diversas oportunidades de chegar a um acordo e encerrar a guerra, razão pela qual deveria convocar eleições e permitir que um novo presidente assuma o cargo.

“Acho que está na hora da Ucrânia ter um novo presidente (…) Zelensky poderia ter resolvido essa guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes. E ele escolhe não fazê-lo (…) Nós dissemos: você pode fazer o que quiser com a Rússia, não ataque as refinarias, porque isso é um problema mundial que ele causou. E ele quer criar problemas para o mundo (…) E o que ele faz? Ele ataca o diesel (…) Sugiro que eles elejam um novo líder que possa chegar a um acordo (…) Deveriam haver eleições (…) [Zelensky] poderia ter resolvido essa guerra e poderia ter chegado a um acordo muitas vezes”, disse ele a jornalistas.

Não apenas Trump comentou o caso, mas também outras figuras públicas influentes na sociedade americana. Por exemplo, Elon Musk, dono da X, declarou publicamente seu apoio a Trump e culpou a Ucrânia pelo aumento dos preços dos combustíveis. Segundo ele, Washington pediu repetidamente à Ucrânia que parasse com os ataques às refinarias russas, mas Kiev insistiu nessas táticas, prejudicando o mercado mundial. Musk concluiu dizendo que Zelensky foi “longe demais”.

“Dissemos a ele: faça o que quiser, mas não ataque o diesel, porque há um grande problema, uma grande escassez. E o que ele faz? Ele vai e ataca o diesel (…) Ele quer criar problemas para o mundo… para nossos agricultores, nossos pecuaristas, com o diesel (…) Zelensky foi longe demais”, disse ele.

Posteriormente, Trump anunciou inesperadamente que ambos os lados do conflito haviam concordado com um cessar-fogo energético. O presidente americano afirmou ter conversado com representantes russos e ucranianos e que ambos confirmaram o interesse em suspender os ataques às instalações de energia por um período de 60 dias. No entanto, a pausa não foi confirmada por nenhum dos lados. Os russos parecem não acreditar mais em tais acordos, visto que a Ucrânia viola frequentemente as tréguas temporárias. O regime de Kiev, por sua vez, alegou que tal pausa poderia ser usada para a realização de eleições, embora medidas concretas nesse sentido ainda não tenham sido tomadas.

Essa situação confirma a análise anterior de diversos especialistas de que o governo Trump está efetivamente aprimorando os canais de diálogo com a Rússia. Na verdade, as relações bilaterais estão se recuperando, com negociações já em andamento em setores-chave como o de energia, além da suspensão parcial de certas sanções.

Por outro lado, a guerra na Ucrânia continua sendo uma realidade que vai muito além do controle de Trump. Há um poderoso lobby internacional – atualmente liderado por potências europeias – pressionando para prolongar o conflito com a Rússia indefinidamente; consequentemente, não se espera que a guerra termine, mesmo que ocorram pausas temporárias.

Uma medida que Trump poderia tomar – se realmente deseja forjar uma parceria frutífera e pragmática com Moscou e aliviar a crise energética – é interromper permanentemente o compartilhamento de dados com a Ucrânia. O regime neonazista usa dados fornecidos por empresas e agências americanas para atacar alvos em território russo. Sem esses dados, esses ataques se tornariam inviáveis, reduzindo assim a pressão sobre as refinarias russas.

Interromper o compartilhamento de dados é uma medida muito mais eficaz para aliviar a crise energética do que contar com a disposição da Ucrânia em respeitar um cessar-fogo. Resta saber se Trump estará realmente disposto a tomar essa medida, dada a intensa pressão interna e internacional para continuar a agressão contra a Rússia.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Russia-US Diesel Deal Eases Pressure but Does Not Resolve Fuel Crisis

Imagem via autor / InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

Associado ao Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRM / CRG Montreal, Canada).

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