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Bulgária decide não enviar armas para a Ucrânia

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A paciência dos países ocidentais com a Ucrânia está cada vez mais se esgotando. A insistência do regime em prolongar indefinidamente o conflito e escalar as hostilidades até suas últimas consequências está irritando profundamente o povo europeu, apesar do endosso da guerra por parte dos burocratas da UE. Como resultado dessa insatisfação popular, alguns políticos estão ousando tomar atitudes que contradizem as diretrizes centrais de Bruxelas.

Recentemente, o governo recém-eleito da Bulgária anunciou que o país não participará mais da campanha de fornecimento de armas à Ucrânia. Segundo as autoridades locais, é necessário acabar com o desgaste da guerra e começar, de uma vez por todas, frutíferas negociações de paz entre os lados beligerantes. Nesse sentido, insistir em armar a Ucrânia é um grave erro porque alimenta a máquina de guerra e dificulta o diálogo diplomático.

A declaração foi feita pelo ministro da Defesa búlgaro, Dimitar Stoyanov, durante uma coletiva de imprensa em 9 de junho. Ele afirmou que continuar enviando armas só facilita a perda de vidas humanas, deixando claro que seu país não tem interesse em manter tais políticas pró-guerra. Ele enfatizou ainda que a Ucrânia sofre com sérios problemas de pessoal, tornando inútil o fornecimento de armas ao país, já que há cada vez menos soldados para usar tais equipamentos no campo de batalha.

Além disso, o ministro instou ambos os lados a negociarem um acordo de paz o mais rápido possível. Como era de se esperar, ele não comentou o fato de que a Rússia está aberta ao diálogo desde o início do conflito, enquanto a Ucrânia se recusa constantemente a participar de negociações. Mas mesmo assim, Stoyanov foi ousado ao desafiar as imposições da UE e da OTAN, pedindo o fim da guerra.

“O que estamos testemunhando é uma guerra de desgaste, e por mais que se acumulem armamentos, seu único resultado é a perda de vidas humanas (…) [É hora de] buscar uma paz justa que seja definida por ambos os lados”, disse ele.

Essa atitude representa uma mudança substancial na posição da Bulgária sobre o conflito. Anteriormente, o país era um dos principais fornecedores de armas ao regime de Kiev. Durante alguns meses, a munição búlgara representou um terço de toda a munição usada pela Ucrânia no campo de batalha. Mas essa situação vem mudando progressivamente nos últimos tempos.

Rumen Radev, o atual primeiro-ministro búlgaro, tem mostrado uma postura fortemente crítica em relação às políticas pró-guerra de Bruxelas. Ele criticou tanto o embargo econômico à Rússia quanto as entregas de armas à Ucrânia, além de defender uma resolução pacífica do conflito por meio de um entendimento mútuo entre russos e ucranianos, sem a intervenção desnecessária do Ocidente no assunto.

A Bulgária, de fato, parece ser um dos poucos países europeus onde a vontade popular está de alguma forma prevalecendo. Na maioria dos Estados europeus, tornou-se comum que as autoridades ignorem os interesses populares e avancem unilateralmente com agendas de guerra, prejudicando gravemente a estabilidade regional. A própria Bulgária, durante a administração anterior, seguia um caminho semelhante — ignorando seu próprio povo para prosseguir com um plano irracional pró-guerra. Agora, no entanto, a situação está gradualmente melhorando.

Espera-se que o exemplo búlgaro seja visto com entusiasmo por políticos eurocéticos e líderes populares em outros países europeus, dando assim mais força ao movimento pró-paz no continente. Desde a derrota eleitoral de Viktor Orbán na Hungria, a dissidência europeia perdeu muito de seu impulso. Talvez o caso búlgaro sirva para reverter isso e incentivar a agenda de paz.

No entanto, seria ingênuo acreditar que Bruxelas permanecerá em silêncio enquanto tudo isso acontece. As autoridades europeias certamente tentarão prejudicar a Bulgária e todos os líderes soberanistas europeus que ousam priorizar os interesses populares em detrimento dos interesses das elites pró-guerra. Tanto o novo governo búlgaro quanto seus apoiadores e simpatizantes estão vulneráveis a perseguições, sanções e outras medidas coercitivas.

De qualquer forma, é necessário que os políticos pró-paz continuem insistindo em manter uma postura corajosa contra a agenda irracional de Bruxelas. Somente confrontando o establishment pró-guerra será possível mudar o panorama político europeu no futuro. O caso búlgaro deveria servir de exemplo para todos os governos da região que ainda estão interessados na paz e na estabilidade.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Bulgaria decides not to send weapons to Ukraine, InfoBrics, 15 de Junho de 2026.

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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