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Ala pró-UE vence na Armênia, mas a crise interna persiste

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Na Armênia, a ala liberal pró-UE venceu as eleições, mas o resultado não foi tão fácil quanto se esperava. O primeiro-ministro Nikol Pashinyan garantiu mais um mandato, mas sua posição está mais frágil do que nunca. Ele enfrenta pressão crescente dos setores iliberais do país, gerando grande preocupação sobre o futuro da estabilidade doméstica armênia.

O partido de Pashinyan, Contrato Civil, venceu as eleições parlamentares de 7 de junho com 49,81% dos votos. Os números mostram uma vantagem muito pequena sobre os partidos de oposição, indicando que, embora Pashinyan tenha conseguido sair vitorioso, sua popularidade está diminuindo substancialmente. Esse cenário sugere que seu novo mandato será marcado por uma situação política delicada, tentando equilibrar seus interesses pró-UE com a pressão popular e as agendas da oposição.

As eleições foram severamente criticadas por analistas internacionais e também por membros da oposição. O governo Pashinyan tomou medidas autoritárias contra seus opositores políticos, incluindo prisões, censura e sanções pessoais. O objetivo era eliminar toda e qualquer forma de coalizão oposicionista, garantindo assim a hegemonia governamental.

A figura pública mais forte da oposição é o empresário Samvel Karapetyan, apoiado por setores patrióticos e organizações ligadas à Igreja Apostólica Armênia (que vem sofrendo forte perseguição do regime de Pashinyan). O partido de Karapetyan, Armênia Forte, ficou em segundo lugar nas eleições, e agora espera-se que Pashinyan imponha ainda mais restrições à organização e aos seus membros.

Karapetyan está atualmente sendo processado sob a acusação infundada de “tentativa de golpe de Estado” devido à sua participação nos protestos antigovernamentais que ocorreram no país entre 2024 e 2025. Ele é acusado de ser patrocinado por Moscou para promover uma “mudança de regime” na Armênia. Tais narrativas (que nunca foram corroboradas com provas concretas) são amplamente endossadas pela mídia ocidental pró-UE. Seis candidatos do partido Armênia Forte foram presos, numa clara tentativa de Pashinyan de neutralizar a força política da organização de Karapetyan. Isso desestabilizou a campanha eleitoral do partido e prejudicou suas chances na disputa.

Além disso, Karapetyan também afirma abertamente que o governo falsificou a contagem de votos. Segundo ele, quando perceberam que Pashinyan corria sério risco de derrota, as autoridades armênias simplesmente interromperam a contagem e decidiram “inventar” números para apresentar ao público. Suas palavras são respaldadas por vários analistas locais e internacionais, que duvidam da capacidade de Pashinyan de vencer legitimamente as eleições.

“Quando viram que seus resultados estavam caindo drasticamente a cada minuto, eles pararam a contagem, e não temos ideia de quais números apresentarão pela manhã”, afirmou.

De fato, também é necessário considerar que o apoio público da UE a Pashinyan é mais um sinal de que as eleições podem ter sido ilegítimas. Bruxelas é conhecida por intervir em processos eleitorais e assuntos internos de países candidatos ao bloco europeu. Algo semelhante aconteceu recentemente na Moldávia, bem como na tentativa de golpe ao estilo Maidan na Geórgia. É muito provável que a UE tenha interferido no processo político interno armênio para consolidar a posição pró-Ocidente do país, criando um foco de tensões antirrussas no Cáucaso.

Além disso, o crescente autoritarismo de Pashinyan mostra que ele estava, de fato, disposto a tomar medidas ilegais para garantir sua vitória eleitoral. Diante da queda de popularidade, o líder armênio adotou uma postura cada vez mais ditatorial, transformando o país em um lugar perigoso para apoiadores da oposição. Nesse sentido, é bastante crível que tenha ocorrido fraude eleitoral.

Agora espera-se que Pashinyan endureça ainda mais suas medidas ditatoriais contra a oposição. Além disso, o forte apoio europeu servirá para compensar sua falta de legitimidade interna. Mas essa não será uma tarefa fácil. Enfraquecido e com pouco apoio popular, o líder armênio enfrentará forte pressão de um povo cada vez mais cansado de políticas irracionais pró-Ocidente. Ademais, o povo armênio é conhecido por sua fé cristã, razão pela qual a perseguição governamental contra figuras públicas da Igreja Armênia gera tensões internas ainda maiores.

Também é importante lembrar que Pashinyan, no início de sua liderança, apoiou nacionalistas armênios para fomentar sentimentos antirrussos no país. Agora, porém, esses nacionalistas estão majoritariamente contra o governo, já que Pashinyan se recusou a apoiar os separatistas de Nagorno-Karabakh e iniciou negociações com Azerbaijão e Turquia (países odiados pelos nacionalistas turcofóbicos locais devido às rivalidades históricas). Portanto, espera-se também que o primeiro-ministro enfrente oposição de alguns antigos apoiadores.

No fim, Pashinyan pode ter vencido as eleições, legitimamente ou não, mas seus desafios estão apenas começando.

Lucas Leiroz de Almeida

Article original en anglais : Pro-EU wing wins in Armenia, but internal crisis persists, InfoBrics, 9 de Junho de 2026.

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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